A melhor ou Pior Escolha da Vida

O sábio rei Salomão apresentou um desafio para o qual poucos atentam. Ele disse: “Vai ter com a formiga… considera os seus caminhos e sê sábio” (Pv 6.6). E eu gostaria de destacar o comportamento de um grupo especial de formiga que nos remete a uma situação crucial na vida, que é a questão da liberdade versus escravidão. Portanto, vamos observar o comportamento das formigas escravagistas e de suas vítimas.

Em quase todos os continentes é possível encontrar esses tipos de formigas. Periodicamente, milhares de formigas escravagistas marcham para fora de seu ninho à captura de colônias de formigas mais fracas. Após dizimarem a colônia, carregam os casulos contendo as larvas das operárias. Esses “bebês” raptados crescem achando que são parte da família e dedicam-se às tarefas para as quais foram criados, sem jamais terem a menor noção de que são vítimas do trabalho forçado imposto pelo inimigo.

Essa é uma flagrante metáfora do dilema do comportamento humano. O que há de metafórico no exemplo dessas formigas é que nós também já nascemos prisioneiros. Embora de certa forma nasçamos livres (quem nos escraviza?), todos nascemos com a marca de “escravo”.

É bem verdade que todos nós passamos por épocas na vida em que gostaríamos de ter feito o que quiséssemos. Desejamos acabar com certas circunstâncias que nos restringiam, nos insurgimos contra limites que cercearam a nossa vontade. Mas o fato é que a liberdade total e a independência completa nunca foram, e jamais serão, opções para nós. A Bíblia é clara em afirmar que somos escravos por natureza, mesmo quando não nos damos conta disso.

Certa ocasião, Jesus estava instruindo os judeus que haviam crido Nele, orientando-os a permanecerem fiéis às suas palavras para que fossem realmente seus discípulos. Em fazendo isso, eles teriam o próprio conhecimento da verdade que os libertaria. Eles retrucaram dizendo-lhe que eram descendência de Abraão e que jamais foram escravos de alguém. Como, então, podia dizer que seriam livres?

Nesse ponto, replicou-lhes Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34).

O que está implícito na mensagem de Jesus é que não somos pecadores porque cometemos pecados, mas pecamos porque somos pecadores. O pecado já está em nós, nascemos com ele. Essa é a marca de “escravo” que carregamos a partir do nascimento. Isso é fácil de entender. De fato, um cão não é cão porque late, ele late porque é cão. Um gato não é gato porque mia, ele mia porque é gato. É sua natureza!

O apóstolo Paulo disse: “Todos pecaram”. E mais: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Pela desobediência de um só (no caso, de Adão, o primeiro homem) todos se tornaram pecadores.

O apóstolo João afirmou: Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós (1Jo 1.8). Normalmente o que se vê é que boa parte dos “bons cristãos” não se sente incluída nessa categoria. Ninguém quer ser tachado de “pecador”. Ao contrário, quando confrontados com essa realidade, não poucos se saem com afirmações desse tipo: Nunca roubei, jamais matei, não traio, faço boas obras etc.

A verdade bíblica é que há um Deus Santo e Justo nos céus, e sem a ajuda de quem realmente pode fazer diferença, jamais sairemos dessa situação ilesos. Por quê? Porque todos nós, sem nenhuma exceção, sim, todos somos culpados e permanecemos condenados diante de Deus. Todos nós estamos sob a pena da morte espiritual, que é a eterna separação de Deus; e ainda mais, somos todos incapazes de lavarmos nossa própria culpa. (Rm 3.19,20; Jo 3.18,36; Ef 2.5)

Esta breve descrição de quem são os pecadores apresenta a necessidade urgente de uma solução satisfatória, algo que seja transformador em nossas vidas. A típica solução humana é tentar certificar-se de que as boas obras superem as más, esperando receber a partir daí o favor e a aprovação de Deus.

Mas a única e suficiente solução é a que vem por intermédio de Jesus Cristo, que fez a boa obra definitiva em nosso favor: Ele morreu pelos nossos pecados de ressuscitou para nos justificar diante de Deus (Rm 4.25). Quem serve a Jesus é totalmente liberto das amarras do pecado. Agora precisamos fazer uma escolha: aceitar ou rejeitar a solução.

São as más notícias do pecado e suas consequências que ressaltam o Evangelho de Jesus como as “boas novas” de salvação aos pecadores. Porque é para os pecadores somente. Mas cada um tem de fazer a sua própria escolha.

Há muito tempo, o general Josué desafiou o povo de Israel a que tomasse uma decisão: se eles iriam servir ao Senhor ou aos outros deuses. Ele tomou a sua decisão: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15). A sua liberdade era relativa ao fato de que tinha de fazer uma escolha. É assim também conosco. Somos todos servos: ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça (Rm 6.16).

Nossa decisão, como apontada acima, não é se vamos servir, mas a quem vamos servir. Esta pode ser sua melhor ou pior escolha. Eu escolhi servir ao Senhor! Qual é a sua escolha?

 

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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