Por que o Brasil continua sendo um país pobre e subdesenvolvido? Por que países relativamente novos (Canadá, Austrália e Nova Zelândia) são ricos e outros bem antigos (Síria, Índia e Egito) ainda são pobres? Por que os recursos naturais, embora possam servir como um poderoso vetor de enriquecimento, em países como o Brasil, que é cantado como sendo um “gigante pela própria natureza”, cujo porte é “belo, forte e impávido colosso”, isso não funciona como seria de esperar? Por que o futuro do Brasil, definitivamente, não espelha em forma de riqueza essa mesma grandeza cantada em seu hino nacional?

                Para efeito de comparação, outras questões podem ser levantadas, relativamente a outros países. Por que o Japão, que possui um território muito pequeno, sendo 80% dele montanhoso e ruim para a agricultura e pecuária, não tendo recursos naturais, acaba por exportar serviços e produtos com qualidade dificilmente superável? Porque o Japão, embora sendo um pais pequeno, passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, fatores que o converteram na segunda potência econômica mundial? Por que a Suíça, que não tem saída para o mar, acabou tendo uma das maiores frotas náuticas do mundo; não tendo cacau, fabrica o melhor chocolate do mundo; em seus poucos quilômetros quadrados, cria ovelhas e cultiva o solo durante apenas quatro meses por ano (o resto é inverno rigoroso), mas tem os produtos lácteos de melhor qualidade de toda a Europa?

Seria isso em razão de sermos menos inteligentes do que as pessoas desses países ricos e desenvolvidos? De modo nenhum! Temos inteligência equivalente. Então, por que, não somos desenvolvidos e ricos como eles? O que eles têm de sobra que nos falta? Falta-nos algum fundamento, cujas premissas básicas tornam essas sociedades ricas e desenvolvidas?

Ao estudarem a conduta das pessoas nos países ricos, cientistas sociais descobriram que a maior parte da população desses países cumpre (não necessariamente nessa ordem) as seguintes regras:

1. O princípio básico da moral e dos bons costumes

2. Ordem e limpeza

3. Integridade

4. Pontualidade

5. Responsabilidade

6. Desejo de superação

7. Respeito aos contratos, às leis e aos regulamentos

8. O respeito pelo direito dos demais cidadãos

9. Amor ao trabalho

10. Esforço pela economia e investimento

Não é estranho que nos países pobres, como o Brasil, só a mínima (quase nenhuma) parte da população segue estas regras em sua vida diária? Os estudiosos concluíram, enfim, que nós não somos pobres porque faltem ao nosso país riquezas naturais, ou porque a natureza tenha sido cruel e injusta conosco, mas simplesmente por causa da nossa atitude permissiva com o mau-caratismo, com a deseducação, com a violência, com a corrupção, com a intolerância, com a injustiça social; enfim, falta-nos vergonha na cara, falta o fundamento do caráter, falta a determinação para cumprir essas dez premissas básicas de funcionamento das sociedades ricas e desenvolvidas.

Decerto, toda construção precisa de um fundamento. Isso se aplica a qualquer coisa, quer seja uma casa, um prédio, uma sociedade, ou mesmo uma vida. A maneira como estabelecemos essa base é definidora do sucesso ou fracasso de nosso projeto. Quanto mais profundos os alicerces, mais altos os edifícios podem ser construídos. O fundamento de um barco, por exemplo, é o equilíbrio do ponto de gravidade produzido pela quilha. Quanto mais profunda a quilha, mais capacidade tem a embarcação a enfrentar o mar revolto. Assim é a vida, e não devemos de forma alguma descuidar dessas lições.

Por isso, é bom perguntarmos: como estamos construindo a nossa vida? Como estamos construindo a nossa sociedade? É mister admitir que estamos construindo hoje o que será o nosso legado aos nossos filhos. Os fundamentos que estabelecermos hoje é que dirão se eles terão ou não sucesso em edificar algo grandioso. Utilizar, portanto, algum “material” moral ou ético de qualidade inferior é decretar por antecipação a falência de algo que poderia ser plenamente vitorioso.

Desse modo, o que você pensa que acontece a uma sociedade quando esta banaliza a ética e a moralidade, mas, em seu lugar, estabelece fundamentos permissivos e pecaminosos? O que acontece também quando um país trata a educação como parte secundária de seus investimentos sociais? O que ocorre a uma sociedade quando parte significativa de sua elite política e religiosa deixa de ter credibilidade, porque lhes falta comprometimento ético e moral? O que acontece quando Deus é ignorado pela elite governante e Sua palavra é desdenhada?

Jesus ilustrou o que ocorre em decorrência da escolha dos fundamentos errados ou corretos com esta parábola: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína” (Mt 7.24). Assim, quando chegar a intempestiva hora do “teste” em nossa sociedade, o que sobrará? De fato, o que temos construído subsistirá ou será tragado em função dos fundamentos que escolhermos.

Essa tragédia de vida de ver tudo desmoronar, ou seu contraponto de erigir construções perenes sobre fortes e seguros fundamentos, pode finalmente acontecer com cada um de nós, individualmente, como também ao nosso país. Alguns constroem suas vidas de maneira distraída, colocando pouco empenho, não buscando o seu melhor nem fazendo o máximo possível, mas apenas sendo relaxados e fazendo o mínimo necessário.

Não, nós não precisamos de mais leis. Precisamos é de um fundamente sólido e seguro sobre o qual construiremos a prosperidade  de nosso país “para todos os brasileiros”, e não para poucos “afortunados”.

Desperta, Brasil! Construa antes um sólido fundamento. Busque-o na Palavra de Deus, porque “Feliz é a a nação cujo Deus é o Senhor!”

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém