Em busca da felicidade

É bastante provável não existir uma única pessoa normal neste mundo que não queira ser feliz. Isso, de certa forma, levanta uma enorme demanda por este artigo raro que é a felicidade. E, como não poderia deixar de ser, muitos são os que procuram, em resposta, oferecer algum “caminho” para essa conquista. As religiões criam fórmulas espiritualistas, mantras, rigores ascéticos, compensações financeiras etc., tudo para uma pessoa sentir-se feliz. A indústria farmacêutica produz drogas antidepressivas como válvula de escape acessível, trazendo uma aparente sensação de preenchimento de forma rápida e eficaz da felicidade.
 
Embora muitos nem saibam definir felicidade, buscam-na com avidez, como num jogo de “vale tudo”. Desse modo, muitos fazem simpatias, buscam orientações em horóscopos, procuram o conselho de gurus, seguem terapias as mais exóticas (cristais, pirâmides, águas coloridas, cromoterapias, metais magnetizados etc.), tomam drogas antidepressivas, além de buscarem orientação espiritual numa multidão de religiões para todos os gostos.
 
O escritor Aldous Huxley, em seu livro “Admirável Mundo Novo”, publicado em 1932, narra um futuro hipotético onde as pessoas viveriam felizes e em harmonia com as leis e as regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. E isso seria possível somente porque todas as pessoas estariam pré-condicionadas biologicamente e condicionadas psicologicamente. Nessa sociedade do futuro totalmente isenta de ética religiosa e de valores morais, todas as dúvidas e inseguranças dos cidadãos seriam dissipadas com o consumo de drogas sem efeitos colaterais aparentes (ou “soma”) e todos viveriam “felizes para sempre”.
 
A demanda por ser feliz é tão grande que alguns psicólogos britânicos alegam ter descoberto a fórmula da felicidade, que consiste na seguinte equação: “P + (5 X E) + (3 X A)”. As variáveis: P (de Pessoal: características da visão da vida, adaptabilidade e flexibilidade); E (de Essencial ou Existencial: saúde, estabilidade financeira, amizades); e A (coisas que o entrevistado considera como “em Alta” na vida: autoestima, ambições, expectativas). Assim, é bem provável que muitos cheguem à conclusão de que felicidade é uma “conta” complicada e que não dá mesmo para ser feliz.
 
Inúmeras pessoas pensam que ser feliz é não ter problemas, pressões ou dificuldades na vida. Mais ou menos como uma vida boa, com muito dinheiro e prazeres, não tendo de dar duro, com os dias alegres e livres de qualquer contragosto. Se assim fosse, isto talvez fosse algo para pouquíssimos afortunados. Outros acham que a vida é só tristeza e que a felicidade é composta apenas de momentos escassos e fugidios, como preconiza a canção popular: “Tristeza não tem fim; felicidade, sim”.
 
De qualquer modo, se é possível ser feliz, em que consiste a felicidade? Há mesmo uma felicidade a ser buscada?
 
Jesus definitivamente não apontou uma fórmula mágica da felicidade. Mas o que Ele ensinou pode nos tornar felizes e de bem com a vida, a despeito de quaisquer problemas e dificuldades. Os princípios consistem em verdades simples e inteiramente aplicáveis. Ele nos fez saber a razão de Sua vinda: “Eu vim buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). Isso inclui a raça humana toda: pobres e ricos, sábios e ignorantes, bons e maus etc. Ele morreu na cruz e carregou sobre si os nossos pecados (Is 53.4). Essa é a garantia de que podemos nascer de novo, “da água e do Espírito”, para termos plena comunhão com único Deus e Criador dos céus e da terra, reatando os laços outrora quebrados pelo pecado. Na esplêndida vida que viveu, Jesus nos ensinou a ser fortes o bastante para sabermos o quanto somos fracos; ensinou-nos também a coragem para sabermos enfrentar a nós mesmos quando temos medo; a termos dignidade na derrota inevitável e humildade na vitória; a conhecer a Deus para que saibamos conhecer a nós mesmos.
 
Com Jesus aprendemos a viver de cabeça erguida sob a pressão e o aguilhão das dificuldades e dos obstáculos; a nos mantermos em pé durante as tempestades da vida; a ter compaixão dos fragilizados e oprimidos. Ele nos ensinou a ter o coração puro e os ideais elevados; a dominar‑nos a nós mesmos em vez de procurar dominar os outros; a rir e a chorar, sem que uma coisa anule a outra. Ele nos ensinou a colocar os olhos no futuro, sem a necessidade de esquecer o passado; a ter compreensão para além das coisas meramente terrenas e passageiras, o bastante para que sejamos sérios, sem, contudo, nos levarmos demasiado a sério. Ele ensinou a virtude da humildade, pois assim podemos ter sempre em mente a simplicidade da verdadeira grandeza, a tolerância da verdadeira sabedoria e a humildade da verdadeira força. Enfim, nos ensinou que a nossa vida e o trabalho de nossas mãos, com Ele, jamais serão em vão.
 
O Evangelho de Jesus não promete felicidade,  oferece “vida abundante”; não me dá o torpor da felicidade isenta de problemas, mas me conduz ao “contentamento em toda e qualquer situação”; não me engabela com uma felicidade com o fim em si mesma, mas me projeta em uma “vida com propósito”. Por isso, eu posso dizer: Sou feliz com Jesus, meu Senhor, a despeito de tudo… simplesmente porque Ele é tudo em mim e Nele eu me encontro totalmente.
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

admin

Analista de Sistema.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.