Oração é uma prioridade inegociável da Igreja, sem a qual não há vida plena, não há edificação espiritual nem vitória contra as forças hostis que a cercam. Sua ausência torna a Igreja algo não muito distante de um mero “clube social”, privando-a de viver “assentada nas regiões celestiais em Cristo” e dirigindo-a ao fracasso de se imiscuir nas infindáveis disputas da arena terrena. Sem oração, a Igreja deixa a doçura de ser guiada pelo braço do Senhor e segue as agruras de ser dominada pelo braço do homem. Nada poderia ser fundamentalmente pior para a Igreja do que deixar de ter a oração como uma prioridade certa e inalienável na sua relação com Deus.

Todavia, a oração não é uma espécie de artifício “mágico”, usado para obtermos aquilo que desejamos ou evitarmos nossas responsabilidades em passá-las adiante, ou melhor, para cima. Muito embora as pessoas que oram a partir desse entendimento equivocado possam estar sendo sinceras, essa certamente não é uma maneira de se conhecer a Deus mais intimamente. Oração também não é uma espécie de simpatia, amuleto, palavra ou fórmula mágica. Ela é fruto do relacionamento com Deus; é, pois, o resultado da intimidade de duas pessoas: eu e Deus!

Todo o nosso relacionamento com Deus pode ser definido na palavra “oração”. Se uma pessoa não ora, o que primeiramente está dizendo é que não se importa em manter um efetivo relacionamento com Deus. Isto porque, no conceito bíblico, a oração é geralmente mostrada como efetiva comunicação no relacionamento com Deus, algo como uma “conversa ao pé do ouvido” com Deus, como principalmente bons amigos podem ter. Mas a oração pode ser chamada também de: “invocar a Deus” (Sl 17.6); “invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26); “clamar ao Senhor” (Sl 3.4); “levantar nossa alma ao Senhor” (Sl 25.1); “buscar ao Senhor” (Is 55.6); “aproximar-se do trono da graça de Deus” (Hb 4.16); “chegar perto de Deus” (Hb 10.22).

O apóstolo Paulo, sabendo da importância da oração, orientou a Igreja para que cada crente em Jesus vivesse a vida normalmente “com toda a oração e súplica, orando em todo o tempo no Espírito e para isto vigiando com toda a perseverança e súplica para todos os santos” (Ef 6.18). Ou seja, para ele, “orando em todo o tempo” indicava que a oração era um modo de vida, não uma panaceia religiosa eventual para conseguirmos coisas. Portanto, o ato de orar deveria tanto fazer parte de uma saudável rotina de vida.

Há sete tipos fundamentais de oração. Três deles têm Deus como centro: ações de graças, louvor e adoração. Em outros três, nós mesmos somos o centro das nossas orações: petição, dedicação e entrega. Em apenas um tipo, o de intercessão, os outros é que são o centro da nossa oração.

As pessoas podem viver e orar sem conhecer nada disso, mas é importante saber que Deus estabeleceu princípios para a oração, que deve ser feita de acordo com a Sua Palavra. Não importa a situação que a pessoa está a viver, a oração pode ser apresentada a Deus optando-se pelos diferentes tipos que Ele nos ensinou na Palavra. Em seguida, vou indicar os tipos de oração e suas referências bíblicas para que você, se quiser, possa pesquisar e meditar no que diz a Bíblia.

ADORAÇÃO. O ser humano foi criado para adorar ao Criador, e estará incompleto se não ocupar esta posição (Ef 1.5-12). E neste tipo de oração estão envolvidas quatro atitudes: quebrantamento, humildade, amor e entrega (Leia 1Cr 29.10-12; Ne 9.5-6).

LOUVOR. Louvor é o mais elevado tipo de elogio. Portanto, aplicado a Deus, é justamente elogiá-lo pelo que Ele é e por tudo quanto tem feito. Ele é Poderoso, Santo, Justo, Misericordioso, Senhor dos céus e da terra, Maravilhoso. Ele nos deu vida, paz, livramento do mal, além de ser o nosso Sustentador (Leia Mt 6.13; Salmos 18; 19; 75).

AÇÕES DE GRAÇAS. “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.18). Essa atitude ou ato de gratidão não é o simples fato de agradecer ou dizer obrigado, mas a expressão de um coração plenamente agradecido em todas as circunstâncias da vida, boas ou más (Leia Jo 11.41; Sl 35.18; 2Co 4.15; Ef 5.4,20; Fp 4.6).

DEDICAÇÃO. É o tipo de oração que expressa renúncia, quando se está em conflito em relação à vontade de Deus, e voluntariamente alguém se consagra e ora para que “seja feita a Tua vontade e não a minha” (Leia Mt 26.39; Gn 22.1-18).

PETIÇÃO. É o tipo de oração mais comum e a mais utilizada. Muitas pessoas, a maioria das vezes, não fazem outro tipo de oração. Mas ela é válida e o Senhor Jesus a ensinou (“Pedi e recebereis”), assim como os apóstolos (Leia Mt 7.7; Jo 14.13,14; 16.24; Fp 4.6; Tg 4.2,4; 1Pe 5.6,7). Duas atitudes são necessárias para pedir e suplicar alguma benção: fé e persistência (Leia Mt 21.22; Mc 11.23,24; Hb 4.16; Lc 18.1-7)

ENTREGA. Quando os ataques do maligno coincidem com os da própria carne, resultam em angústia, frustração e desânimo, geram um conflito íntimo na pessoa. Nessas horas, a preocupação parece não ter fim. Então, é a hora de entregar tudo ao Senhor, tomar os fardos e colocá-los ao pé da cruz e descansar inteiramente em Cristo (Leia Sl 37.5; Lc 23.46; Fp 4.6,7; 1Pe 5.6,7).

INTERCESSÃO. É tomar o lugar de alguém numa necessidade ou problema, pleiteando a sua causa como se fosse sua própria (Jo 17.9). Quando alguém está desanimado ou pensando em desistir, então levanta-se o intercessor (Jr 1.12). A intercessão faz parte do viver diário dos santos e pode até mudar as circunstâncias (Leia Ef 6.18; Gn 18.22,23).

Sabendo disso, convido você à oração, para invadir a sala do Trono e achar “graça para socorro em ocasião oportuna” e ser “mais que vencedor por aquele que nos amou”. As lutas podem ser grandes e difíceis, mas saiba de uma coisa: Quem ora, vence!

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém